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Guia de compra

Sete conferências antes de assinar um lote em condomínio

Matrícula, registro de incorporação, licença ambiental, convenção. A lista que eu percorro antes de deixar um cliente assinar qualquer coisa.

05 de agosto de 2026Alessandro Rangel

Pórtico de entrada de condomínio horizontal de alto padrão

Comprar lote em condomínio fechado é uma operação com muito menos armadilha do que comprar imóvel avulso. Mas ela tem as suas, e todas aparecem em documento, não em visita. Esta é a sequência que eu percorro.

PRIMEIRA: o registro de incorporação. Ele fica no cartório de registro de imóveis competente, e é o documento que autoriza o empreendimento a vender. Sem ele, o que está sendo vendido é promessa. Peça o número e confira no cartório, não com o vendedor.

SEGUNDA: a matrícula do lote, atualizada, com certidão de ônus reais. A matrícula é a certidão de nascimento do imóvel: ela mostra quem é o dono e o que pesa sobre ele. Penhora, hipoteca, usufruto, tudo aparece ali. Atualizada quer dizer emitida nos últimos trinta dias, não a que estava na pasta.

TERCEIRA: a licença ambiental e a licença de instalação. Empreendimento horizontal mexe com drenagem, supressão de vegetação e às vezes com área de preservação. Licença irregular não impede a venda hoje, impede o habite-se depois, e quem descobre isso é o comprador na hora de construir.

QUARTA: a convenção e o regimento interno, lidos de verdade. É neles que estão as regras de construção, e elas são muito mais restritivas do que a maioria imagina: recuo obrigatório, taxa de ocupação, gabarito, material de fachada, prazo para começar e para terminar a obra. Já vi cliente comprar um lote imaginando um projeto que a convenção do próprio condomínio não permitia.

QUINTA: a taxa mensal de condomínio prevista, com a informação de quando ela começa a ser cobrada. Aqui mora a surpresa mais comum. A taxa incide sobre o lote ainda vazio, a partir da entrega da infraestrutura, e custeia segurança, manutenção das áreas comuns, energia das vias, paisagismo e administração. Quem compra pensando em construir daqui a três anos vai pagar trinta e seis taxas antes de dormir uma noite lá.

SEXTA: o cronograma da infraestrutura e o histórico da incorporadora, quando o empreendimento ainda está em obras. Cronograma é o que prometeram. Histórico é o que costumam cumprir. Os dois juntos dizem mais do que qualquer um deles sozinho.

SÉTIMA: a certidão negativa de débitos municipais, o memorial de incorporação e, do lado do comprador, a documentação pessoal completa, incluindo a certidão de estado civil. Casamento e união estável mudam quem precisa assinar, e essa é a correção mais cara de fazer depois.

Some a isso os custos que não estão no preço anunciado: o ITBI, as taxas de registro em cartório e a escritura pública. Eles não são opcionais e não são pequenos.

Nenhuma dessas conferências exige que você seja advogado. Exige que alguém peça os documentos e leia. É a parte menos glamourosa do meu trabalho e é, disparado, a que mais evita prejuízo.

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